ESTUDO SUGERE QUE O SARS-COV-2 PODE AFETAR A VIDA AQUÁTICA SILVESTRE

Pesquisa foi conduzida no Laboratório de Pesquisas Biológicas do Instituto Federal Goiano – Campus Urutaí

       

Pesquisa inédita conduzida no Laboratório de Pesquisas Biológicas do Instituto Federal Goiano – Campus Urutaí, em parceria com a USP, UFC, Universidade Brasil, UNIFAL, UNESP e Harvard Medical School, demonstrou que fragmentos da proteína Spike do novo coronavírus (SARs-Cov-2) causou danos fisiológicos em girinos da espécie Physalaemus cuvieri.

A espécie utilizada como modelo experimental pertence ao grupo dos anfíbios (Anura, Leptodactylidae) e pode ser encontrada em vários países da América do Sul, especialmente no Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela.

Utilizando biomarcadores para estresse oxidativo e neurotoxicidade, os pesquisadores avaliaram os efeitos tóxicos que a exposição à três fragmentos da proteína Spike do SARs-Cov-2 poderia causar nos animais. A equipe também estimou a afinidade de ligação e os possíveis mecanismos pelos quais os peptídeos sintetizados induziram estresse oxidativo e neurotoxicidade, utilizando análises in silico e simulações de docking molecular.

Após apenas 24 horas de exposição, os autores observaram que dois dos peptídeos avaliados aumentaram significativamente todos os biomarcadores de estresse oxidativo avaliados e que as enzimas antioxidantes quantificadas não foram capazes de contrabalancear a produção de espécies reativas que, sabidamente, são altamente danosas às células. O aumento da produção de óxido nítrico, em particular, parece ser uma resposta padrão imunológica à infecção pelo SARS-CoV-2, o que pode estar correlacionada com o aumento nas citocinas pró-inflamatórias, o que também é observado nos pacientes com COVID-19.

Os autores também avaliaram a possível neurotoxicidade dos fragmentos nos animais medindo a atividade da acetilcolinesterase (AChE), um marcador da função colinérgica. Nas concentrações mais elevadas (500 ng/mL), todos os peptídeos causaram aumento na produção da AChE, entre 200% e 700%.

O Prof. Dr. Guilherme Malafaia, coordenador do laboratório onde os experimentos foram conduzidos e membro da Society fo Environmental Toxicology and Chemistry (SETAC) e da Sociedade Brasileira de Ecotoxicologia (ECOTOX) destaca que o estudo constitui um insight sobre como a contaminação aquática por partículas do SARS-Cov-2 (excretadas pelas fezes e urina de pacientes infectados) pode afetar a vida silvestre. Até onde sabemos, a forma clássica de transmissão do novo coronavírus é pelo ar e via contato com pessoas infectadas. No entanto, é muito oportuno também olharmos para os potenciais impactos ambientais dessa pandemia, uma vez que eles podem ir muito mais além de mortes de milhões de pessoas, desestabilização econômica global e agravamento dos problemas sociais sem precedentes, destaca o Prof. Dr. Guilherme Malafaia.

O estudo conduzido recebeu auxílio direto e indireto da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Instituto Federal Goiano, por intermédio da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação.

 

Acesse o estudo na íntegra por meio do repositório bioRxiv* (https://doi.org/10.1101/2021.01.11.425914).

Fonte: Prof. Guilherme Malafaia



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